Cenário: ontem, quando entrei na A1, apeteceu-me seguir em frente e parar só quando fosse inevitável meter gasolina. Efeito
garbage, bien sur.
(RUN RUN RUN, MY BABY, RUN -
e porque raio este carro não tem uma 6ª velocidade?RUN FROM THE NOISE OF THE STREET AND THE LOADED GUN
TOO LATE FOR SOLUTIONS TO SOLVE IN THE SETTING SUN)
Argumento: ouço muita gente a queixar-se dos
ses. Quando têm de tomar uma decisão, 'e
se não é isto que eu quero?', 'e
se depois fico na merda por causa disto?', 'e
se depois de palmilhado este caminho, não há volta?'.
(CAN YOU BLEED LIKE ME?)
Compreendo e empatizo. Uma pessoa mudou toda a sua vida porque naquele dia resolveu não virar à esquerda, como o fazia habitualmente no caminho para casa. Atravessou a rua para o outro lado e encontrou alguém que lhe mudou o rumo de vida, a forma como olhava para ela própria e a sua relação com o mundo.
(YOU SHOULD SEE MY SCARS
TRY TO COMPREHEND THAT WHICH YOU'LL NEVER COMPREHEND)
Há uma sensação de vertigem nesta era de mortalidade. A sensação de que algumas decisões podem tornar-se
turning points e com as respectivas consequências, quem sabe incontornáveis.
Mas com os
ses posso eu bem. Levam-me a reflectir, é claro, mas não me paralizam como os
mas. Quero dizer isto,
mas não posso. Quero fazer isto,
mas não tenho esse direito.
Os
ses são incontornáveis quando achamos que o futuro ainda está à nossa espera. Quando perdemos todos os dias um bocadinho de crença no futuro, de que de um dia para o outro viramos à esquerda e não à direita e o mundo vira do avesso, o problema são os
mas.
O
mas é, então, um derivado dos ses. Um
se cheio de compromisso. Sei o que tenho de fazer, sei quais são as consequências. Então vou fazê-lo. MAS...
by fiona bacana