Friday, October 21, 2005

Ironia do destino é

Depois de ter entrado na lista negra do Sargento, ter lugar de honra à direita do Comandante, numa exibição pública de conhecimento.

Haja fé nas patentes...

by fiona bacana

Thursday, October 20, 2005

Carmen de Bizet - Grande Ópera da Kazan


Lânguida, cínica, provocadora, intempestiva. Assim é Carmen, cigana de uma fábrica de tabaco da Sevilha da década de vinte do século XIX.

Febril, autoritário, inconsistente, ambivalente, pecador. Assim é D. José, militar que, depois de seduzido, ainda tenta resistir a Carmen. Dividido entre o dever e o prazer, acaba por ceder - deixa fugir Carmen do castigo policial que lhe estava destinado.

Carmen não se apaixonou por D. José à primeira vista. Deitou-lhe uma flor, num desagrado provocador, quando foi o único militar que não tentou seduzi-la. Despeitada, portanto, apaixona-se (?) por ele.

Encontram-se nas montanhas como foragidos. Carmen, cigana e habitualmente perseguida, lida bem com o estilo de vida. D. José, militar habituado a colocar a lei acima de tudo, tortura-se; em cada gesto ou palavra mais azeda de Carmen, vê a confirmação que, para ela, D. José é somente um capricho.

Depois de o acaso fazer com que os caminhos de ambos se separassem momentaneamente, D. José reencontra Carmen na Praça de Touros com Escamillo, toureiro renomado e galanteador, com o desafogo de vida que D. José não tem.

Carmen aceita flores de Escamillo. D. José não aceita ver o que sempre receou. E acaba por matar Carmen.

Carmen de Bizet é paradigmático das vicissitudes do relacionamento amoroso. Seja em 1820 ou em pleno século XXI: há mulheres que vivem no fio da navalha necessidade de proximidade - autonomia, e há homens que não conseguem lidar com isso.

by fiona bacana

Sinais dos Tempos

Ela 1 - Olha, ontem fui à ópera!
Ela 2 - Foste à Oprah?Uau!

Ela 1 nem sequer respondeu a Ela 2. Achou que não valia a pena.

by fiona bacana

Tuesday, October 18, 2005

Mocidade, Mocidaaaaaaaaaaaaaadeeeeeeeee

Hoje acordei com esta música na cabeça.

All I can say is that my life is pretty plain
I like watchin' the puddles gather rain
And all I can do is just pour some tea for two
and speak my point of view
But it's not sane, It's not sane
I just want some one to say to me
I'll always be there when you wake
Ya know I'd like to keep my cheeks dry today
So stay with me and I'll have it made


And I don't understand why I sleep all day
And I start to complain that there's no rain
And all I can do is read a book to stay awake
And it rips my life away, but it's a great escape
escape......escape......escape......


No rain, Blind Melon

e, já agora, com este menino na cabeça, ícone da minha mocidade: shanon hoon.



Ai, ai, ai (suspiro).

by fiona bacana

Friday, October 14, 2005

Life note (voltando ao efeito borboleta)

Juntei os joelhos, prendi-os e fumei mais um cigarro. Percebi que não te podia ter amado nem mais nem melhor do que o fiz. Se há reconhecimento no caos, quando as cores não batem certo nem os dias têm ordem, então reajo inutilmente. De que me interessa combater o fuso horário e as correntes da civilização se no fim o resultado é o mesmo?

E então choro sem o teu perdão. Porque faça o que fizer ficarei sem ti; faça o que fizer e diga o que disser.

by fiona bacana

Fiona concretiza um sonho!

Ter um homem a dizer-me:

«Non mi preoccupo per voi? Dovete essere pazzeschi! Voi sia sempre sul mio cuore!»

Pronto. Venha o próximo!

fiona bacana

Wednesday, October 12, 2005

Vesti-me de...

Vesti-me de sombra,
vesti-me de água,
vesti-me de madrugada, de madrugada evaporada.

vesti-me de nevoeiro,
vesti-me do frio das ruas,
vesti-me do cigarro encorporado, fumo da cor das núvens.

Vesti tudo o que vi só para me proteger do frio, do frio que tu podes trazer.
E vesti tudo o que vi e pude apanhar, só para evitar o mal que me podes fazer.

Porque hoje, finalmente, as minhas pernas tremeram. E o meu estômago embrulhou-se. E senti a tua mão e não foi como antes. E talvez seja de hoje, do dia de nevoeiro, do sol entreaberto e dos trovões, das núvens e do "beijo daqueles que sabem a maresia e levam a aragem do mar". Mas só por isso, só por ser hoje, vesti-me assim só para tu me despires. Despires da sombra, do nevoeiro.

Hoje por hoje. Sem saber que hoje será amanhã.

by fiona bacana

Monday, October 10, 2005

Flavour of the weekend - o berço da nacionalidade ou


...ou sobre como a vida nos ensina a valorizar a descoberta de novas pessoas que fazem o favor de entrarem na nossa existência.
...ou sobre como o trabalho corrompe, muda, transforma mesmo aqueles que nós pensávamos estarem lá, intangíveis e imutáveis nos seus princípios.
...ou sobre como não há forma de lidar com a perda, simbólica ou real.
...ou sobre como (me) é difícil responder à simples pergunta «como estás?, estás bem?», porque nunca sei o que dizer, por isso ignoro, tomo como pergunta retórica e silencio-me.
...ou sobre como é tão estranho saber tanto (e no entanto tão pouco!) sobre uma (duas) pessoas e ter a noção de que elas não sabem nada sobre mim.
...ou sobre como é tão delicioso estar sentada no centro do centro do berço da nacionalidade, entre um pneu, uma vidago morango que afinal tem tantas calorias como uma coca-cola e um café, na companhia de gente tão bonita que me faz dizer: é para isto que vale a pena estar viva.

by fiona bacana

Sintonia Familiar é

vir do Gerês para o Porto com os meus-filhos-emprestados-por-5-dias, com os Toranja aos berros e os 3 a gritarmos: devolve-me os laaaaaaçossssss meu amooooooor...

by fiona bacana

Thursday, October 06, 2005

Boa notícia do dia - Parte II


31 de Outubro, Coliseu de Lisboa.
31 de Outubro, véspera de 1 de Novembro, feriado (note-se o léxico de vítima esclavagista).
Aí vem mais um fim de semana da bimba do norte com os primos barbie e ken.

by fiona bacana

Boa notícia do dia - Parte I


Maria Rita voltou com 'Segundo'.
Vamos lá a ver se a rapariga tira novamente um coelho da cartola, depois de ter todo o Brasil que conta a compôr para ela (ou para a filha de Ellis Regina). Agora é ela quem produz, em parceria com ... Lenine. (Bem, verdade verdadinha que este moço me desiludiu profundamente ao aparecer em público com o abrunhosa - será que se nota o desprezo pelo tamanho da letra?).

Aguardo ansiosamente. Maria Rita Mariano, tão Ellis que até arrepia, volta à carga...

by fiona bacana

Thursday, September 29, 2005

A year ago

Há um ano atrás assisti à queda de um mito pessoal.

Crescer agarradinha aos livros da Simone de Beauvoir tem destas coisas e internalizei a ideia de uma vida completa na minha casinha forrada a livros de capa nobre, sozinha, rodeada de serigrafias, álbuns de vinil e cd's. Uma vida em que era possível acordar de manhã e deixar correr a música pelos corredores decorados a tons minimalistas. Internalizei a ideia de que o desenvolvimento intelectual estava associado a uma charmosa solidão.

Por acaso, ou talvez não, tinha uma tia assim. Uma tia que se emancipou numa altura em que as mulheres que fumavam eram vistas como mulheres da vida. Não conseguiu lidar com as regras autoritárias do meu avô, e foi viver para Cascais. Viveu a era dourada do Frágil. Tirou o curso de Literatura Inglesa e Alemã, mas nunca deu aulas (não tinha pachorra). Viveu com o homem por quem se apaixonou aos 19 anos, ele mais velho do que ela quase 15 anos, contra tudo e contra todos. Contra regras sociais impostas, contra brasões, contra o diz-que-disse. Que eu saiba (que eu saiba...) foi o único amor da vida dela.

Continuou a vida dela. Dilacerada, mas continuou. Fez da frase as árvores morrem de pé um lema. Ressurgiu várias vezes na minha vida, em alturas marcantes - por acaso ou talvez não.

A última vez que ressurgiu na minha vida foi para morrer 6 meses depois. Uma morte estúpida, como todas as mortes de quem sai daqui demasiado cedo. Por negação, deixou que a doença que dizima a família (a minha e a dela, ou o que resta disso) tomasse conta dela. Porque quis morrer como sempre viveu: à maneira dela. De nariz empinado, solitária passeando a cadela à beira-mar, com os livros debaixo do braço. Um cigarro e um café na esplanada na Granja. Intencionalmente ou talvez não, as melhores amigas dela tinham a minha idade ou pouco mais.

Há um ano atrás, entre um abraço de um primo no funeral e os momentos a sós em que estive com ela quando o sofrimento (para ela) já não existia, percebi que a solidão é tudo menos enobrecedora. É tudo menos charme. E que não há beleza nisto, seja ela em que formato for. Morrer sozinha (não o último acto em si, mas o processo) é abjecto. Espero eu saber como não deixar que isso aconteça comigo.

by fiona bacana

'All in all you're just another brick in the wall'

É assim que me sinto quando abro a caixa de correio electrónico profissional e recebo um mail a dizer que há um personal trainer à disposição das 9:30 às 11:00 do dia de hoje.

by fiona bacana

Wednesday, September 28, 2005

Ah, então é isso!

«Adopting one's father beliefs may facilitate commitment»

Blustein et al., 1991 in Contributions of Psychological Separation and Parental Attachment to the Career Development Process

by fiona bacana

Tuesday, September 27, 2005

De volta, enfim... DEEPEST BLUE

Queridos todos,
Em primeiro lugar gostaría de pedir desculpas pela minha longa ausência. Mas nunca de espírito, já que por motivos de maior não pude continuar a saga dos impúlsos públicos. Deepest Blue como nostalgia da saudade deste cantinho tão privado mas tão público....
Fiona Bacana tem sido incansável com este blog, a ela deve-se o princípio e o meio (sim, porque o fim não se espera por tão cedo!).
Para celebrar a nova época, pensei que nada melhor do que publicar desde já aquela que, na minha opinião, é a letra da música que irá badalar nas casas de dança por todo o mundo (House Music), neste inverno... mexeu comigo à primeira, talvez a muitos mais irá mexer!
And make some noise!!!!!!!

Deepest Blue - Give It Away

I never return to love somebody
now all that I need is all I see in you
and only you
and if you get lost I'll always find you
you're all that I need your heart will keep you true
my only you

You make me fall and I can't sleep
You're holding on but it's too deep
and I can't give it away
I just can't give it away

When you slowly close your eyes
replay the moment in your mind
just give it away
just give it away
when you slowly close your eyes
replay the moment in your mind
just give it away
just give it away

Don't ever forget to tell somebody
the feelings inside to make your dreams come true
I dream of you
to feel so alive and want somebody
it's not make believe
my world would be for you
and only you

You make me fall and I can't sleep
You're holding on but it's too deep
and I can't give it away
I just can't give it away

When you slowly close your eyes
replay the moment in your mind
breathe in and give it away
breathe out and give it away
When you slowly close your eyes
replay the moment in your mind
breathe in and give it away
breathe out and give it away.


by Sean Bacana
:D

Missão de vida

«Eu sei, eu sei
sim, eu sei. Sei-o agora e já há muito tempo o sabia.
Sim, sei, sei isso.
Mas eu sei isso e também sei o contrário.
E é tão difícil saber isso e saber o contrário.
Aceitar isso e não desprezar o constrário.

Sim, eu sei
eu sei que a Terra terá cinco mil milhões de anos
eu sei que a Vida terá mil milhões de anos
eu sei que a "pequena" distância da Terra à Lua anda aproximadamente pelos 400 000 kilómetros.

Eu sei, sim eu sei
eu sei
eu sei que tenho apenas 56 anos de idade, 1,65m de alto e um passo de 70 centímetros.
Sim eu sei,
eu sei
mas sei também
que a praia ficará diferente se eu lhe roubar um grão de areia
eu sei
que o mar não será o mesmo se eu lhe chorar uma lágrima
eu sei
que o Universo se altera quando respiro ou mesmo quando penso.

Sim, eu sei, eu sei que venho de longe e vou para longe
sei que não estou apenas aqui mas em muito lado, sei que não vivo "apenas" o tempo que vivo.
Sei que o infinitamente grande é tão infinito como o infinitamente pequeno.
E sei e sei mais e muito mais.
Sei que não sou excepção.
Sei que sou como todos os homens
os que nasceram e morreram
os que hão-de nascer para morrer.
Eu sei que entre mim e os outros há uma eterna e indissolúvel união.
E que os outros precisam de mim, tanto quanto eu deles necessito.
E sei que é este saber-mo-nos infinitamente grandes por sermos infinitamente pequenos que constitui a paixão da Vida.

Eu sei, sim eu sei.
E é sobre esta Vida de paixão que tem sido a minha que vou falar.
Com ironia, com tristeza, por vezes com rancor, mas sempre, sempre com paixão.
Há anos pensei um pensamento para gravar numa porta que ofereci, simbolicamente, para a casa de uns amigos.
Esse pensamento pensava simplesmente: faz de cada momento uma Vida.
Ofereci a porta mas não gravei o pensamento.
Gravei-o na memória e procuro particá-lo no quotidiano.
E é essa paixão pela Vida que quero apaixonadamente transmitir. Porque não vive quem não mergulha permanente e apaixonadamente na paixão da Vida.

Eu sei, sim eu sei.
Eu sei.»

Fernando Távora,
Depoimento para uma aula na Escola Superior de Belas-Artes do Porto
em 21 de Maio de 1980

by fiona bacana

Monday, September 26, 2005

Obrigada, Tio Manel

Assim sai-me de cima um peso na consciência:

a) votar em Cavaco, para quem assistiu à decadência do Cavaquistão, é como fazer um clister desnecessariamente;
b) votar em Louçã é brincadeirinha - está muito bem onde está;
c) votar Jerónimo Martins, mesmo com voz audível, insuportável porque se revela como uma alternativa (?) sistematicamente pouco arejada e bafienta;
d) votar em alguém como Soares, compactuar com a não regeneração dos políticos (para não voltar a desfiar o rosário de queixas do post anterior).

Assim, Tio Manel, voto e fico de consciência tranquila.

Independentemente dos resultados finais, à 1ª ou 2ª volta, porque esses estão decididos: Cavaco Silva é Presidente da República em Janeiro. Regretfully.

by fiona bacana

Friday, September 23, 2005

Que desgosto, Joana...


A dirigente nacional do Bloco de Esquerda Joana Amaral Dias afirmou hoje à Agência Lusa que será a mandatária para a juventude da candidatura de Mário Soares à Presidência da República.

"É com gosto e entusiasmo que aceito o convite pessoal que me foi dirigido pelo dr. Mário Soares para ser mandatária da juventude da sua candidatura às eleições presidenciais", refere a ex-deputada e membro da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, o órgão máximo desta força política entre congressos.

Joana Amaral Dias disse que aceitou o convite do candidato apoiado pelo PS porque acredita "no projecto de Mário Soares para esta disputa, nomeadamente por toda a postura que tem revelado nestes últimos anos, onde sobressaiu uma perspectiva actual, reflexiva e interventiva sobre o mundo contemporâneo".

in Lusa.pt

Oh Joana, Joana, tsk tsk tsk.

Há alturas em que a honra do convite deve ser subjugada à clareza dos princípios.

Mário Soares já foi Presidente da República. Duas vezes. Chega. Há outros candidatos, ainda por cima com élan e carisma suficiente para abater Cavaco. Manuel Alegre seria um desses candidatos de esquerda, não tivesse sido vítima do seu próprio romantismo e até de alguma ingenuidade. Já para não falar das filhadaputice que a cópula PS e o senil do Soares lhe fizeram.

Apresentar Mário Soares como adversário de Cavaco Silva é um tiro no pé. Concordo contigo: derrotar a direita é fundamental. É. Mas não assim, não desta forma desesperada, revivalista, alimentadora da não regeneração dos políticos portugueses. E, Joana, ver-te aliares-te a isto foi um desgosto...

by fiona bacana

Million Dollar Question of The Day, a saga continua

Atracção pelo abismo. Todos já ouvimos falar.

A questão é: o que nos leva lá?

Se já sabemos que a ravina termina ali, o que nos leva a lá ir? Há quem diga (há quem diga...) que é a vista.

Não. Eu não. Eu não vou pela vista. Se fosse pela vista não precisava de me aproximar, centímetro a centímetro da última porção de terra segura. Vou para saber se consigo voltar.

But people, make your bets to the answer of the million dollar question of the day.

by fiona bacana

Thursday, September 22, 2005

Já me tinham chamado hedonista,

mas isto é um exagero.

Hoje, num contexto tão anti-eu que até me abstenho de descrever, ouvi : «temos de fazer mais o que devemos e menos o que queremos».

Assim. Literal. Contundente e literal.

E isto revoltou-me de tal forma que comecei a chorar. Tornou-se ainda mais evidente que o processo de prostituição que é condição sine qua non para a progressão na carreira. E eu não sei se quero compactuar com isto. Não sei se a minha sanidade mental aguenta.

by fiona bacana