‘Só para que saibas’ que te desejo uma boa viagem…e que espero que consigas o que sempre afirmaste não querer. Vais talvez então perceber que o 'fazer' alguma coisa na vida pode ser tão importante como 'ser' alguma coisa na vida.
«Please stop. Don’t walk, don’t talk, this time I must be strong enough. No, it’s not enough, so I’ll raise my head up high and lift my voice high and do it with pride. This time I’ll make things right, this time I won’t look back, time will not go back, I’ll find myself this time.»
The gift, ‘cube’.
by fiona bacana
Monday, May 09, 2005
«Do lua(r)» (o fim de tudo é UM recomeço)
Se consegui aquilo que queria, então porquê este enjoo de tristeza?
Ajuda-me. Porque eu devo ser mesmo estúpida: tu falas e eu não te compreendo. Mutismo afectivo ou dislexia emocional, venha o diabo e escolha. Eu quero acreditar em ti, dar-te a minha mão e deixar-me levar. Quero a tua segurança. Não me deixes estragar isto com os meus ataquinhos de menina armada a nórdica.
by fiona bacana
Ajuda-me. Porque eu devo ser mesmo estúpida: tu falas e eu não te compreendo. Mutismo afectivo ou dislexia emocional, venha o diabo e escolha. Eu quero acreditar em ti, dar-te a minha mão e deixar-me levar. Quero a tua segurança. Não me deixes estragar isto com os meus ataquinhos de menina armada a nórdica.
by fiona bacana
Do 2.20 (TGV)
«Custa-me ouvir-te falar assim de ti própria.»
E, irónico, também eu ouvi alguém dizer-me precisamente isto.
Na altura, senti que eram os bons olhos da pessoazinha que a levava a tamanha aberração. O que gostava em mim reflectia-se na sua incapacidade e intolerância para lidar com o meu esquema mental dizimador de mim própria. Ela chamava-me isso. Eu chamava-lhe madrinha.
Como ela dizia: tu não precisas de inimigos, és a principal inimiga de ti própria. Nem tens nada a recear na vida, porque mais ninguém tem o potencial de te fazer mal como tu tens o talento para te auto-destruires.
Concordei moderadamente. Mas sempre senti que a avaliação não era objectiva (ou o quão objectiva se pode ser nestas coisas) e dei o desconto com um sorriso enternecedor, ainda que descrente.
Mas contigo é diferente. Que te sintas mal ao ponto de não teres ar para respirar, compreendo. Compreendo que sintas, pior do que sozinha, só. Que sintas o que todos nós sentimos a uma determinada altura: angustiados, revoltados, feridos, sentidos pelo sentimento de termos sido enganados….isto afinal não é o que nos venderam! Não há um testo para cada panela, nem é garantido que alguma vez cheguemos a sentir o que toda a gente foi ensinada a achar: os happy ends não abundam.
Tudo isso eu compreendo. Custa-me ver-te assim, porque faz de toda a gente à tua volta impotente, mas compreendo. E não é ver-te a perder a inocência que me custa, porque não é muito diferente de perder a virgindade: é por um bem maior.
Agora o que me custa mesmo é ver-te a falar assim de ti própria. Porque, mesmo não sendo a objectividade o meu forte (simplesmente porque para mim é uma falácia), sou capaz de me distanciar e perceber que pior do que o tempo de vida que perdes, é estares a criar uma ideia de ti própria claramente inferior e desajustada.
Tu não és assim, tu não és o que dizes. Estás é a aprender a sê-lo. Ao ponto de começar a fazer parte de ti própria. Irónica, amargurada e, pior do que tudo, começas a ficar confortável nessa pele…e estás a acreditar nisso. A acreditar no que te fazem sentir, para te manterem, instrumentalmente, nessa situação. Porque é assim que tu te vais ficando aí, como se quer…menininha obediente, com desafio q.b. (mas tudo muito limitado) e auto-desvalorizante. Só assim te manténs à mãozinha de semear.
by fiona bacana
E, irónico, também eu ouvi alguém dizer-me precisamente isto.
Na altura, senti que eram os bons olhos da pessoazinha que a levava a tamanha aberração. O que gostava em mim reflectia-se na sua incapacidade e intolerância para lidar com o meu esquema mental dizimador de mim própria. Ela chamava-me isso. Eu chamava-lhe madrinha.
Como ela dizia: tu não precisas de inimigos, és a principal inimiga de ti própria. Nem tens nada a recear na vida, porque mais ninguém tem o potencial de te fazer mal como tu tens o talento para te auto-destruires.
Concordei moderadamente. Mas sempre senti que a avaliação não era objectiva (ou o quão objectiva se pode ser nestas coisas) e dei o desconto com um sorriso enternecedor, ainda que descrente.
Mas contigo é diferente. Que te sintas mal ao ponto de não teres ar para respirar, compreendo. Compreendo que sintas, pior do que sozinha, só. Que sintas o que todos nós sentimos a uma determinada altura: angustiados, revoltados, feridos, sentidos pelo sentimento de termos sido enganados….isto afinal não é o que nos venderam! Não há um testo para cada panela, nem é garantido que alguma vez cheguemos a sentir o que toda a gente foi ensinada a achar: os happy ends não abundam.
Tudo isso eu compreendo. Custa-me ver-te assim, porque faz de toda a gente à tua volta impotente, mas compreendo. E não é ver-te a perder a inocência que me custa, porque não é muito diferente de perder a virgindade: é por um bem maior.
Agora o que me custa mesmo é ver-te a falar assim de ti própria. Porque, mesmo não sendo a objectividade o meu forte (simplesmente porque para mim é uma falácia), sou capaz de me distanciar e perceber que pior do que o tempo de vida que perdes, é estares a criar uma ideia de ti própria claramente inferior e desajustada.
Tu não és assim, tu não és o que dizes. Estás é a aprender a sê-lo. Ao ponto de começar a fazer parte de ti própria. Irónica, amargurada e, pior do que tudo, começas a ficar confortável nessa pele…e estás a acreditar nisso. A acreditar no que te fazem sentir, para te manterem, instrumentalmente, nessa situação. Porque é assim que tu te vais ficando aí, como se quer…menininha obediente, com desafio q.b. (mas tudo muito limitado) e auto-desvalorizante. Só assim te manténs à mãozinha de semear.
by fiona bacana
Sunday, May 08, 2005
Memória de um Louco
A meia noite o sol brilhava no horizonte, um velho preto com sua cabeleira clara, sentado numa pedra de madeira, contemplava de olhos fechados a beleza da natureza. Ao seu lado direito o cego lia o jornal sem letra de cabeça pra baixo. Atrás, um jacaré voava com grande velocidade e um pouco adiante, um elefante descansava a sombra de um pé de couve. A esquerda um mudo que dizia: o mundo é uma bola quadrada que navega em um copo d`agua. Era não noite, o sol brilhava entre as trevas de um dia claro, sentado em pé numa pedra de madeira, calado dizia: prefiro a morte do que perder a vida! Longe dali bem perto, num bosque sem árvores, onde os pássaros pastavam alegremente pelo ar e as vacas saltavam de ramo em ramo a procura de seus ninhos, um careca enquanto penteava sua linda cabeleira loira dizia: Os quatro profetas do mundo são três Moises e Elias!!
By: Sean Bacana
By: Sean Bacana
Friday, May 06, 2005
Sexta-Feira 13 de Queima
Que seja 6 de Maio, mas quando é Sexta-Feira de Queima...tudo se transforma. Desde a visão do Estudante, como o arrepio do Finalista. Ok, Sábado é o último dia, mas a Sexta é a sexta, pois claro! Não que as coisas se tornem sombrias, se bem que a clarividência esbate-se, mas tornam-se sentidas, por estarmos tão próximos do fim.
Eu cá só me regozijo, ainda me faltam uma ou duas. Na verdade é engraçado servir uns copos e olhar nos olhos de cada pessoa que é servida. Como as intenções são tão diversas!! Como as vivências divergem! Ao fim de uns tantos copos servidos, ao fim de umas poucas palas, tudo se torna mais linear..bastante mais convergente e uniforme. Ninguém é imune aos copos servidos. E quando a luz do dia raia, o efeito já está para além da resposta. Por eles eu passo, e caminho lentamente. Uns corpos pesados, outros caídos. Por fim, é Sexta. Sexta-Feira de Queima das Fitas....
by: Sean Bacana
Eu cá só me regozijo, ainda me faltam uma ou duas. Na verdade é engraçado servir uns copos e olhar nos olhos de cada pessoa que é servida. Como as intenções são tão diversas!! Como as vivências divergem! Ao fim de uns tantos copos servidos, ao fim de umas poucas palas, tudo se torna mais linear..bastante mais convergente e uniforme. Ninguém é imune aos copos servidos. E quando a luz do dia raia, o efeito já está para além da resposta. Por eles eu passo, e caminho lentamente. Uns corpos pesados, outros caídos. Por fim, é Sexta. Sexta-Feira de Queima das Fitas....
by: Sean Bacana
Hoje já é 6ª!
«Esta é só uma noite para me vingar
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
Em distâncias e saudades
numa dor que nunca acaba
e faz transbordar os dias»
Vou voltar a ser impune! Por uma noite que seja, mas vou voltar a ser impune!
by fiona bacana
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
Em distâncias e saudades
numa dor que nunca acaba
e faz transbordar os dias»
Vou voltar a ser impune! Por uma noite que seja, mas vou voltar a ser impune!
by fiona bacana
Thursday, May 05, 2005
De um sol abrasador em serralves - amor e matemática
«A geometria dos triângulos amorosos. O frio calculismo das traições. A matemática do sexo, com seus problemas sem solução. A diminuição de um sentimento, a soma de dois desejos. A divisão de um coração, a multiplicação das culpas. A paixão elevada à última potência. A raíz quadrada do ódio, o fraccionamento das emoções. O ímpar que há nos pares e o paradoxo do amor infinito. »
Nota do editor de «Aritmética», de Fernanda Young
Não poderia ter vindo mais a propósito...pois não, Madalena?
by fiona bacana
Nota do editor de «Aritmética», de Fernanda Young
Não poderia ter vindo mais a propósito...pois não, Madalena?
by fiona bacana
Nunca mais é 6ª
Queima das Fitas e The Gift.
Junta-lhe vodka com limão.
Junta-lhe o voltar a ver as alminhas que comigo entraram no «prisma inverso da ascenção».
Não podia ser melhor.
É, nunca mais é 6ª.
«Next time you'll have time to ask why
L-O-V-E is a hard hard thing to keep
Then you'll understand what I'm saying»
11:33 The Gift
by fiona bacana
Junta-lhe vodka com limão.
Junta-lhe o voltar a ver as alminhas que comigo entraram no «prisma inverso da ascenção».
Não podia ser melhor.
É, nunca mais é 6ª.
«Next time you'll have time to ask why
L-O-V-E is a hard hard thing to keep
Then you'll understand what I'm saying»
11:33 The Gift
by fiona bacana
Wednesday, May 04, 2005
Do Livro I ao Livro V
Que cansaço de livros, parecem que as letras dançam. Estudo, estudo, estudo, avanço por cada página. Nem sempre o conhecimento se prende, mas o que interessa é avançar!!
São os marcadores, os post-its, as canetas que dão colorido a preto e branco. Um artigo ou Artigo um: " Fontes Imediatas " (da saberdoria???). Página por página avançamos à "Intransmissibilidade"(testamentária). O Livro acaba na sucessão, como se morresse. Acaba. Mas o estudo não! Resta recomeçar. Desta vez as letras não dançam, mas sim...os livros!!
By(bye): João Pedro Marafusta
São os marcadores, os post-its, as canetas que dão colorido a preto e branco. Um artigo ou Artigo um: " Fontes Imediatas " (da saberdoria???). Página por página avançamos à "Intransmissibilidade"(testamentária). O Livro acaba na sucessão, como se morresse. Acaba. Mas o estudo não! Resta recomeçar. Desta vez as letras não dançam, mas sim...os livros!!
By(bye): João Pedro Marafusta
Para quê a Queima, quando se sai encharcado??(Msg da Noite)
"Que bebedeira o meu pé apanhou!!! Caiu cerveja e chegou um pito a casa"
quote by "Bidón"
quote by "Bidón"
Vacina anti-perda
fev.03
É como uma praga: começa por bisavôs, tios distantes. Apanha dois ou três amigos pelo caminho. É mesmo difícil lidar com esta ideia. Encaixar. Aceitar. Ter fair play para compreender. A tarefa mais difícil do que chamamos vida é perder pessoas - real ou simbolicamente. É que é um tipo de dor que não passa. Não é amenizado pela experiência nem passa arquivando o assunto. Fumam-se mais cigarros, trabalha-se até mais não poder, inventam-se 1001 projectos para tentar esquecer. Bebe-se mais, muito mais que a conta. Entupimo-nos de medicamentos e nada, mas o que se obtém é tão somente um vício e pequenas doses de consolo. Por falar em medicamentos, não há uma vacina para isto?... Cientistas e laboratórios, esqueçam clonagens e joguetes afins, unam-se neste desígnio: vacina anti-perda. Seria êxito garantido....não?...não pode ser?!...pronto.
Mas então o que fazer? O que fazer quando vemos as barreiras da nossa mortalidade a caírem, uma por uma? É um tipo de dor que não passa - apenas se transforma: negação em revolta, revolta em dor, dor em saudade. É 'ter' uma pessoa, sem a 'ter' em tempo algum, porque não somos tangíveis. Tentamos todos os dias esquecer uma verdade insofismável: o ser humano, vangloriado pela sua complexidade e nobreza da amplitude de sentimentos, afinal é dízimo da sua glória. Glória esta facilmente dizimável, óbvio.
Dizem que temos de estar preparados para a inevitabilidade da perda. Quem criou o mundo e as suas leis de inevitabilidade fez um jogo muito perigoso. Crescemos na ilusão de que tudo na vida está ao nosso alcance. Mentira. Nós é que estamos ao alcance da vida. Mais claramente: à sua mercê.
Para mim é certo: por muita gente que se perca, nunca aprendemos a lidar com isto, nem com o sentimento de impotência de não controlarmos quem sai da nossa vida. Na melhor das hipóteses, aprendemos a aceitar que não sabemos lidar nem sabemos perceber.
by fiona bacana
É como uma praga: começa por bisavôs, tios distantes. Apanha dois ou três amigos pelo caminho. É mesmo difícil lidar com esta ideia. Encaixar. Aceitar. Ter fair play para compreender. A tarefa mais difícil do que chamamos vida é perder pessoas - real ou simbolicamente. É que é um tipo de dor que não passa. Não é amenizado pela experiência nem passa arquivando o assunto. Fumam-se mais cigarros, trabalha-se até mais não poder, inventam-se 1001 projectos para tentar esquecer. Bebe-se mais, muito mais que a conta. Entupimo-nos de medicamentos e nada, mas o que se obtém é tão somente um vício e pequenas doses de consolo. Por falar em medicamentos, não há uma vacina para isto?... Cientistas e laboratórios, esqueçam clonagens e joguetes afins, unam-se neste desígnio: vacina anti-perda. Seria êxito garantido....não?...não pode ser?!...pronto.
Mas então o que fazer? O que fazer quando vemos as barreiras da nossa mortalidade a caírem, uma por uma? É um tipo de dor que não passa - apenas se transforma: negação em revolta, revolta em dor, dor em saudade. É 'ter' uma pessoa, sem a 'ter' em tempo algum, porque não somos tangíveis. Tentamos todos os dias esquecer uma verdade insofismável: o ser humano, vangloriado pela sua complexidade e nobreza da amplitude de sentimentos, afinal é dízimo da sua glória. Glória esta facilmente dizimável, óbvio.
Dizem que temos de estar preparados para a inevitabilidade da perda. Quem criou o mundo e as suas leis de inevitabilidade fez um jogo muito perigoso. Crescemos na ilusão de que tudo na vida está ao nosso alcance. Mentira. Nós é que estamos ao alcance da vida. Mais claramente: à sua mercê.
Para mim é certo: por muita gente que se perca, nunca aprendemos a lidar com isto, nem com o sentimento de impotência de não controlarmos quem sai da nossa vida. Na melhor das hipóteses, aprendemos a aceitar que não sabemos lidar nem sabemos perceber.
by fiona bacana
Tuesday, May 03, 2005
Do fuso horário
Afinal qual é a grande diferença agora? Não estamos sob o mesmo meridiano, é isso? Não temos o mesmo fuso horário, é isso? É isso que te incomoda? Mas já há quanto tempo o meu lado solar (sim, diz que existe) é o teu lado lunar e vice-versa?
Páro. Respiro fundo. Não, por aí não.
Não quero imaginar aquelas americanazinhas, taradas como só as americanas púdicas conseguem ser, a trepar por ti acima.
Dá-me a volta ao estômago. Fico enovoada, os olhos pesam ao tentar abanar a cabeça, na esperança de perder, esmagar, destruir a imagem mental que me invadiu.
Antes não era tão difícil. O sentimento de posse apaziguava-me, porque sóbria e consciente, sabia a diferença entre corpo e alma.
Mas dizem que é com estas pequenas derrotas que nos apercebemos que...perdemos a guerra. Espero perdê-la rapidamente, já não dá para sentir tanta perda todo o santo dia.
Já não aguento as perguntas. O 'tu não comes?' incomoda, mas não mata como o 'tu não eras assim...'. O 'tu não eras assim' é que me mata. Talvez isso seja bom, talvez isso seja mau, mas para já resta-me o consolo de saber que me estou a perder...e que isso é meio caminho andado para me encontrar (verdade, patrícia?).
by fiona bacana
Páro. Respiro fundo. Não, por aí não.
Não quero imaginar aquelas americanazinhas, taradas como só as americanas púdicas conseguem ser, a trepar por ti acima.
Dá-me a volta ao estômago. Fico enovoada, os olhos pesam ao tentar abanar a cabeça, na esperança de perder, esmagar, destruir a imagem mental que me invadiu.
Antes não era tão difícil. O sentimento de posse apaziguava-me, porque sóbria e consciente, sabia a diferença entre corpo e alma.
Mas dizem que é com estas pequenas derrotas que nos apercebemos que...perdemos a guerra. Espero perdê-la rapidamente, já não dá para sentir tanta perda todo o santo dia.
Já não aguento as perguntas. O 'tu não comes?' incomoda, mas não mata como o 'tu não eras assim...'. O 'tu não eras assim' é que me mata. Talvez isso seja bom, talvez isso seja mau, mas para já resta-me o consolo de saber que me estou a perder...e que isso é meio caminho andado para me encontrar (verdade, patrícia?).
by fiona bacana
SMS do dia - Queima das Fitas, dia 2
«Que vidas patéticas as nossas, mano, com medo do que temos, com medo do que queremos. Será que alguma vez nos vamos desprender?»
Os outros têm casamentos, têm filhos, têm casa, têm saleiros, têm seguros de saúde para agregados familiares.
Nós temos a Queima das Fitas, o Marlboro e o L&M, o Jonhy Walker com água do castelo (e 2 pedras de gelo) e o vodka com limão. Temos as conversas existenciais às 8 da manhã. Temos o medo de não crescer nunca, temos o medo de ficarmos sozinhos. Começo a achar que o problema é nosso. Não são eles que são caretas, mano!Nós é que sofremos de um atraso desenvolvimental qualquer. Somos muito modernos, relações para quê, been there done that. Somos de um cinismo atroz.
Well, nevermind. Bebemos 1 shot e pode ser que passe.
by fiona bacana
Os outros têm casamentos, têm filhos, têm casa, têm saleiros, têm seguros de saúde para agregados familiares.
Nós temos a Queima das Fitas, o Marlboro e o L&M, o Jonhy Walker com água do castelo (e 2 pedras de gelo) e o vodka com limão. Temos as conversas existenciais às 8 da manhã. Temos o medo de não crescer nunca, temos o medo de ficarmos sozinhos. Começo a achar que o problema é nosso. Não são eles que são caretas, mano!Nós é que sofremos de um atraso desenvolvimental qualquer. Somos muito modernos, relações para quê, been there done that. Somos de um cinismo atroz.
Well, nevermind. Bebemos 1 shot e pode ser que passe.
by fiona bacana
Explica-me, chaga
Explica-me, chaga, onde foi que me perdi?
Quando é que me transformei de tal forma que fiquei irreconhecível, mesmo para ti (ou sobretudo para ti)?
Quando é que nos tornei mutuamente invisíveis, eu presa ao meu pânico de permanecer igual ('a vida segue lá fora', lembras-te?), tu perdida nessa incapacidade de gritares a quem amas?
E quando é que foi que tu descobriste os teus novos poderes? Fui eu que tos fiz criar? Fui eu que tos dei?
Quando é que foi, diz-me...que eu já não me lembro. Talvez aí eu chegasse ao ponto de viragem, aceitavelmente lamentável, e fosse capaz de exigir o que nunca exigi e não te fazer mal por isso.
Talvez a culpa não tenha sido tua. Fui eu que te fiz assim.
Hoje oscilo entre o bem que te desejo e a incapacidade de te ver. Não te desejo mal, é mesmo verdade. Aprendi a voltar a ver-te em fotografias. Aprendi a pensar novamente 'era bom que ela aqui estivesse'. Mas mentiria se dissesse que tenho vontade de te ver. No entanto, não tenho qualquer dúvida que te abraçaria se tal acontecesse.
«Quando eu cair espero ao menos que olhes para trás» (Ornatos Violeta).
O fim foi no dia em que, finalmente, fui capaz de te escrever isto. Quando fui capaz de, finalmente, dizer-te o quão desiludida, perdida, insultada, magoada estava. Nada voltaria a ser igual.
Mais um episódio da era da mortalidade. Guardo a fotografia do último dia da nossa outra vida. Um sorriso profundo, estrutural. Mas ambas certas que aquele abraço seria, provavelmente, o último.
by fiona bacana
Quando é que me transformei de tal forma que fiquei irreconhecível, mesmo para ti (ou sobretudo para ti)?
Quando é que nos tornei mutuamente invisíveis, eu presa ao meu pânico de permanecer igual ('a vida segue lá fora', lembras-te?), tu perdida nessa incapacidade de gritares a quem amas?
E quando é que foi que tu descobriste os teus novos poderes? Fui eu que tos fiz criar? Fui eu que tos dei?
Quando é que foi, diz-me...que eu já não me lembro. Talvez aí eu chegasse ao ponto de viragem, aceitavelmente lamentável, e fosse capaz de exigir o que nunca exigi e não te fazer mal por isso.
Talvez a culpa não tenha sido tua. Fui eu que te fiz assim.
Hoje oscilo entre o bem que te desejo e a incapacidade de te ver. Não te desejo mal, é mesmo verdade. Aprendi a voltar a ver-te em fotografias. Aprendi a pensar novamente 'era bom que ela aqui estivesse'. Mas mentiria se dissesse que tenho vontade de te ver. No entanto, não tenho qualquer dúvida que te abraçaria se tal acontecesse.
«Quando eu cair espero ao menos que olhes para trás» (Ornatos Violeta).
O fim foi no dia em que, finalmente, fui capaz de te escrever isto. Quando fui capaz de, finalmente, dizer-te o quão desiludida, perdida, insultada, magoada estava. Nada voltaria a ser igual.
Mais um episódio da era da mortalidade. Guardo a fotografia do último dia da nossa outra vida. Um sorriso profundo, estrutural. Mas ambas certas que aquele abraço seria, provavelmente, o último.
by fiona bacana
Verdades vindas da Nova Zelândia
«Nunca vai haver um momento certo para as pessoas erradas saírem da nossa vida»
Obrigada, carlitxa, pela companhia na procura das poucas certezas que ainda nos sobram na vida.
By the way, quando voltas?! Miss you at fpceup!
by fiona bacana
Obrigada, carlitxa, pela companhia na procura das poucas certezas que ainda nos sobram na vida.
By the way, quando voltas?! Miss you at fpceup!
by fiona bacana
Pai e filho
Continuo a achar que é para te poupar de alguma coisa que ainda não conseguiste perceber. Ou então não. Estás só perante a altura, inevitável para todos e que só se diferencia no tempo de chegada, de perceberes que até ele é falível. Os únicos santos que conheço têm todos pés de barro....
by fiona bacana
« - Oi pai. Sou eu. Eduardo.
Um silêncio já esperado teve lugar.
- O que acontceu? Que horas são?
- Não sei. Não aconteceu nada. Só resolvi te dizer que eu vou escrever sobre você.
- Sobre mim?
- É.
- Onde?
- Num livro.
- No tal livro da Mariana?
- É?
- Eu já sabia. O prefácio, não é?
- Hum-rum. Mas eu quero te avisar que vou escrever mesmo, falando a verdade.
- A verdade?
- É.
- Você quer dizer que vai falar de mim, é isso?
- Não. Quero dizer que quero contar a verdade. Contar, por exemplo, como você foi generoso, ao me encaminhar na literatura, chamando-me de ‘mais um palhaço na família’.
- Hum. Eu queria te poupar.
- Hum. Poupar de quê, posso saber?
- Da dor.
- Ah, da dor.
- É, da dor.
- E alguma coisa dói no homem de gelo?
- Homem de gelo?
- Sim. Achou cafona?
- Achei, mas tudo bem.
- Hum.
- Dói. Dói muita coisa.
- Por exemplo?
- Você quer um exemplo?
- Quero. De algo que tenha doido em você. »
Fernanda Young, «Aritmética»
by fiona bacana
« - Oi pai. Sou eu. Eduardo.
Um silêncio já esperado teve lugar.
- O que acontceu? Que horas são?
- Não sei. Não aconteceu nada. Só resolvi te dizer que eu vou escrever sobre você.
- Sobre mim?
- É.
- Onde?
- Num livro.
- No tal livro da Mariana?
- É?
- Eu já sabia. O prefácio, não é?
- Hum-rum. Mas eu quero te avisar que vou escrever mesmo, falando a verdade.
- A verdade?
- É.
- Você quer dizer que vai falar de mim, é isso?
- Não. Quero dizer que quero contar a verdade. Contar, por exemplo, como você foi generoso, ao me encaminhar na literatura, chamando-me de ‘mais um palhaço na família’.
- Hum. Eu queria te poupar.
- Hum. Poupar de quê, posso saber?
- Da dor.
- Ah, da dor.
- É, da dor.
- E alguma coisa dói no homem de gelo?
- Homem de gelo?
- Sim. Achou cafona?
- Achei, mas tudo bem.
- Hum.
- Dói. Dói muita coisa.
- Por exemplo?
- Você quer um exemplo?
- Quero. De algo que tenha doido em você. »
Fernanda Young, «Aritmética»
Do supermercado de comunicações
Longo caminho percorreste. Das doc martens, calças rasgadas e camisa de flanela aos quadrados ao fatinho em cor escura com risquinhas mais claras, tudo muito standard. Vá lá, consegues ainda manter uma ou outra marca distintiva, um relógio com as curvas de um rabo em contra fundo, só para meter nojo. Ou a pulseira que no verso tem escrito ‘fuck you all’, guardada religiosamente desde os tempos da peste negra, vulgo guerra 14-18 – e que utilizas em alturas estratégicas. É esta a pulseira que te dá a calma que toda a gente estranhiza. ‘Não estás nervosa?’. Não, na realidade não estás. Sabes o que isto é. Em terra de académicos, quem tem um bocadinho de síntese é rei. Chamam-lhe supermercados de comunicações…
Não é falta de humildade. Percebo, de facto, que percorri um caminho bem sinuoso. E não por ser absolutamente geniosa. E não pela capacidade de sacrifício. É pela obsessão pelo conhecimento. As mesmas características que me fazem acordar a meio da noite a ponderar variáveis. A procurar ansiosamente o bloco de notas que guardo na mesinha de cabeceira. Ou as mesmas características que me fazem ter uma taquicardia, 8 da manhã, vinda da noite. Por causa de alguma coisa que alguém me disse, acidentalmente, e sem qualquer tipo de intenção de contribuir para o meu postulado científico.
Esta brincadeira está a ficar cara de mais. Já olho ao espelho e, entre a sensação de crescimento, sinto-me a prostituir. Como é que vou para uma sala com 50 pessoas e faço aquela postura de supra sumo da barbatana? Logo eu, que não sei a ponta de um corno e ao menos tenho consciência disso. Mas como é que ninguém ainda descobriu?!
E confirma-se. A minha ansiedade é directamente proporcional à percepção de controlo. Parece DAH, não parece? Não, é tudo menos DAH. Eu fico ansiosa, DEPOIS das comunicações.
DEPOIS?!
DEPOIS.
DEPOIS, que é quando eu sinto que já não há nada a fazer. Que prática sou, hein?
by fiona bacana
Não é falta de humildade. Percebo, de facto, que percorri um caminho bem sinuoso. E não por ser absolutamente geniosa. E não pela capacidade de sacrifício. É pela obsessão pelo conhecimento. As mesmas características que me fazem acordar a meio da noite a ponderar variáveis. A procurar ansiosamente o bloco de notas que guardo na mesinha de cabeceira. Ou as mesmas características que me fazem ter uma taquicardia, 8 da manhã, vinda da noite. Por causa de alguma coisa que alguém me disse, acidentalmente, e sem qualquer tipo de intenção de contribuir para o meu postulado científico.
Esta brincadeira está a ficar cara de mais. Já olho ao espelho e, entre a sensação de crescimento, sinto-me a prostituir. Como é que vou para uma sala com 50 pessoas e faço aquela postura de supra sumo da barbatana? Logo eu, que não sei a ponta de um corno e ao menos tenho consciência disso. Mas como é que ninguém ainda descobriu?!
E confirma-se. A minha ansiedade é directamente proporcional à percepção de controlo. Parece DAH, não parece? Não, é tudo menos DAH. Eu fico ansiosa, DEPOIS das comunicações.
DEPOIS?!
DEPOIS.
DEPOIS, que é quando eu sinto que já não há nada a fazer. Que prática sou, hein?
by fiona bacana
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